Em 1973, o futebol assistiu a um dos jogos mais estranhos da história. Chile contra União Soviética e um lugar no Mundial de 1974 em jogo, mas o problema não estava dentro das quatro linhas.
Dias antes da partida, o Estádio Nacional de Santiago tinha sido usado como centro de detenção depois do golpe militar de Augusto Pinochet. Milhares de prisioneiros políticos passaram por aquelas bancadas.
A União Soviética recusou-se a jogar naquele estádio, considerando impossível disputar uma partida num local marcado pela repressão. A FIFA, no entanto, manteve o jogo.
A 21 de novembro de 1973, o Chile entrou em campo. A equipa soviética não apareceu. O árbitro apitou para o início, os jogadores chilenos trocaram alguns passes e avançaram sozinhos até à baliza vazia. O golo foi marcado… sem adversário.
Poucos segundos depois, a partida terminou. O Chile ganhou, por 2-0, na secretaria e qualificou-se para o Mundial de 1974.
Foi o único jogo de apuramento para um Campeonato do Mundo em que uma equipa marcou um golo sem ter ninguém do outro lado do campo. Um momento em que o futebol deixou de ser apenas futebol e se tornou um reflexo da política, da história e das feridas de um país.

















