A Netflix desembolsou cerca de 513 milhões de euros para adquirir a InterPositive, a startup de Inteligência Artificial criada por Ben Affleck, revelou documentação agora tornada pública pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.
Quando a compra foi anunciada, em março, a plataforma de streaming não revelou o valor da operação. Os novos documentos mostram que o montante foi pago em dinheiro.
Além da tecnologia desenvolvida pela empresa, focada em acelerar processos de pós-produção, o acordo abrange toda a equipa da InterPositive. Ben Affleck passa também a colaborar com a Netflix como consultor sénior.
Fundada em 2022, a InterPositive nasceu da convicção do ator e realizador de que as soluções de IA disponíveis para a indústria cinematográfica ainda estavam longe do ideal. Na altura, Affleck explicou que decidiu criar a empresa depois de ter "observado a ascensão inicial da Inteligência Artificial na produção cinematográfica" e de concluir que as ferramentas existentes não respondiam às necessidades do setor.
O ator acrescentou ainda que sentiu "a responsabilidade para com colegas e indústria de proteger o poder da criatividade humana".
"Quis construir um fluxo de trabalho que capture o que acontece num set, com vocabulário que seja igual à linguagem dos realizadores e diretores de fotografia que já usam e incluísse o tipo de consistência e controlos que esperariam", afirmou.
Entretanto, a Netflix revelou que recorreu à Inteligência Artificial em cerca de 300 produções ao longo de 2026, sobretudo em tarefas de pós-produção. Numa carta enviada aos investidores, a empresa explica que a utilização de IA generativa está a expandir-se em todas as fases da produção audiovisual.
"Recorremos cada vez mais a estas ferramentas porque permitem obter resultados de maior qualidade, em menos tempo e a um custo inferior ao dos métodos tradicionais. Em alguns casos, sem a IA generativa teria sido impossível incluir determinadas cenas e sequências-chave", refere a plataforma.
Durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre, o codiretor executivo Ted Sarandos reforçou que "as grandes obras só podem nascer do talento de grandes criadores, e a inteligência artificial não altera essa realidade".
"O que faz é disponibilizar melhores ferramentas para concretizar ideias. Os filmes continuam a ser feitos por pessoas; a IA apenas ajuda a fazê-los melhor", concluiu.

















