No último Angola Investment Summit, que se realizou na semana passada em Luanda, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, foi bem claro ao defender a aposta do seu país no setor, transformando-o numa das principais alavancas da diversificação económica do país, apostando nas suas potencialidades naturais, culturais e patrimoniais para captar investimento nacional e estrangeiro.

Durante a realização do evento, Márcio Daniel defendeu que Angola possui condições únicas para se afirmar como um dos grandes destinos emergentes do continente africano, sublinhando que o setor deixou de ser encarado apenas como uma atividade complementar para passar a constituir uma prioridade estratégica do Executivo: "O turismo é hoje uma prioridade económica nacional, uma aposta estratégica do Estado angolano e uma das áreas com maior capacidade de gerar emprego, atrair investimento, valorizar o território e projetar Angola no mundo", afirmou o governante.

Com mais de 1.600 quilómetros de costa atlântica, o país apresenta um vasto conjunto de recursos naturais ainda pouco explorados, desde as praias e baías do litoral às paisagens do deserto do Namibe, passando pelas Quedas de Kalandula, pela bacia do Okavango, pelos parques nacionais, rios, montanhas e savanas.

Na sua opinião, "Angola é um país onde o deserto do Namibe se encontra com o mar, criando uma das paisagens mais raras e impressionantes do continente", destacou, acrescentando que o país possui uma diversidade natural que "poucos destinos conseguem oferecer".

A estas potencialidades naturais juntam-se fatores culturais e identitários, como a música, a dança, a gastronomia e a hospitalidade do povo angolano.  Como referui Márcio Daniel, "Angola é ritmo. É música. É dança. É gastronomia. É história. É resistência. É criatividade. É hospitalidade", afirmou.

O executivo presidido por João Lourenço considera que o país se encontra numa fase inicial do seu ciclo de desenvolvimento turístico, circunstância que representa uma oportunidade para os investidores. "Quem entra cedo, não compra apenas um activo. Ajuda a moldar um mercado", sublinhou o ministro.

Vem aí o novo Palácio das Convenções

Refira-se que nos últimos anos, foram lançadas as marcas "Visit Angola" e "Meet in Angola", destinadas à promoção internacional do país e ao desenvolvimento do turismo de negócios. A entrada em funcionamento do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, uma infraestrutura que está ao nível das mais modernas do mundo, e a futura inauguração do Palácio de Convenções de Luanda, na zona da Chicala, são igualmente apontadas como ‘instrumentos’ decisivos para aumentar a conectividade e atrair grandes eventos internacionais.

Praticamente concluído, o futuro Palácio das Convenções, que está a ser construído na zona da Chicala, irá dotar a capital angolana de uma infraestrutura capaz de albergar eventos de grande dimensão

Márcio Daniel descreveu que, em 2025, as viagens e o turismo contribuíram com mais de 11,5 biliões de dólares para a economia global, sendo que perto de um em cada dez dólares gerados no mundo está ligado ao turismo.

No ano passado, apontou, um em cada três novos empregos criados a nível global veio da indústria do turismo, realçando que esta já não é uma indústria secundária, mas um dos motores mais poderosos de crescimento inclusivo, desenvolvimento territorial e projeção internacional. Os números do setor contribuem para o otimismo que se vive atualmente quanto ao desenvolvimento do setor em Angola: até 2035, estima-se que o valor global do sector possa atingir cerca de 16,5 biliões de dólares.

O governo revelou ainda que estão aprovados mais de 500 milhões de euros em investimentos destinados à melhoria das infraestruturas turísticas e dos acessos, procurando tornar os principais destinos nacionais mais competitivos.

“O turismo é o petróleo verde de Angola”

Apesar de o turismo representar atualmente apenas cerca de 3 por cento do investimento direto estrangeiro não petrolífero, as autoridades entendem que este valor demonstra o elevado potencial de crescimento do setor. "O turismo é o petróleo verde de Angola. Uma riqueza renovável, que não se esgota quando é bem gerida", afirmou o governante.

Dirigindo-se aos investidores nacionais e internacionais presentes na cimeira, o ministro deixou ainda um apelo direto: "Não vos estamos a pedir apenas que invistam num hotel, num resort ou num centro de convenções. Estamos a convidar-vos a participar na construção de um destino." A aposta do executivo é clara: transformar o turismo numa nova fonte de riqueza, emprego e desenvolvimento. Como concluiu o ministro, "o mercado está aberto, os projetos estão preparados e as parcerias começam aqui. O momento é este".