Ainda há quem acredite que o seguro de viagem incluído no cartão de crédito é uma espécie de salvo-conduto mágico. Basta fazer a reserva do voo e do hotel com aquele pedaço de plástico para que todas as eventualidades estejam cobertas. É uma sensação reconfortante, quase como ter um anjo da guarda no bolso. Mas será mesmo assim?
Imagine a seguinte cena: uma família parte para uma semana de praia no Algarve. O carro está com a manutenção em dia, as malas estão arrumadas e o seguro de assistência em viagem? Está "tratado" – porque a viagem foi paga com o cartão de crédito. Até aí, tudo tranquilo.
Mas eis que, no segundo dia de férias, o filho mais novo tem uma otite aguda, daquelas que não dão tréguas. A febre sobe, as dores são fortes e é preciso recorrer a um médico. A família liga para o número de apoio do cartão, e é por essa altura que começa o verdadeiro teste. Qual a seguradora que gere aquela apólice? Qual o plafond disponível para despesas médicas? A criança está abrangida? E se for necessário o internamento?
Esta cena é mais comum do que se imagina. A confiança no seguro do cartão assenta, muitas vezes, na ideia generalizada de que ele cobre "tudo". No entanto, a realidade é que esta proteção, embora valiosa, é frequentemente um território desconhecido. Quantas pessoas leram, com atenção, as condições gerais do seguro associado ao seu cartão? Teremos a preocupação de ler as letras pequenas para avaliar as franquias, os procedimentos de ativação e, principalmente, os limites de cobertura?
Outra situação muito típica acontece com as bagagens. Acredita-se que, se a mala não chegar ao destino, o problema está imediatamente resolvido. Mas será que o cartão cobre apenas o atraso, e não a perda total? Qual é o valor máximo por dano ou extravio? E, já agora, o que é considerado "bagagem" para efeitos da apólice? São estas as perguntas que se tornam urgentes quando estamos num aeroporto, de braços cruzados, a olhar para a passadeira vazia enquanto os outros passageiros seguem viagem.
A diferença entre uma viagem descansada e uma dor de cabeça está assim, muitas vezes, nos detalhes que não lemos. É preciso saber o que fazer em caso de emergência, quais os números de contacto, se é necessário pagar adiantado e pedir reembolso ou se existe um sistema de pagamento direto com a entidade prestadora, e é aqui que a figura do mediador de seguros ganha uma relevância acrescida. Um corretor, nomeadamente os corretores da SABSEG, não vendem um produto, mas antes ajudam a navegar na complexidade da letra pequena, esclarecendo as dúvidas e ajustando as expectativas à realidade.
A preparação para uma viagem não deve resumir-se a fazer a mala e a carregar o passaporte. Deve incluir uma paragem de cinco minutos para a leitura do que está contratado. Porque a verdadeira tranquilidade não está em ter um cartão que supostamente cobre tudo, mas em saber exatamente o que fazer quando o imprevisto bate à porta.
















