Os sindicatos representativos dos trabalhadores da RTP acusam o Conselho de Administração, liderado por Nicolau Santos, de ter adiado unilateralmente a assinatura da revisão do Acordo de Empresa para 2026, numa decisão que classificam como uma grave falta de respeito pelos trabalhadores e pelas estruturas sindicais.
Num comunicado, a que o 24Horas teve acesso em exclusivo, as organizações sindicais denunciam o adiamento da assinatura, inicialmente marcada para quarta-feira, 15, para o próximo dia 5 de agosto, sem que tenham sido apresentadas justificações concretas. "Vamos de férias sem os aumentos processados, como prometido", lamenta um trabalhador ao 24Horas, acrescentando: "O conselho de administração aumentou-se a si próprio, há umas semanas. Uma vergonha!"
Segundo o documento, a administração limitou-se a invocar "motivos imponderáveis" para alterar o calendário da negociação, sem fornecer qualquer esclarecimento adicional. Os sindicatos consideram esta explicação insuficiente e afirmam que a decisão coloca em causa um processo negocial que se arrasta há vários meses.

O comunicado recorda que, nas reuniões anteriores, tinha ficado acordado que os aumentos salariais seriam processados já com os vencimentos de julho, produzindo efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2026. Face ao adiamento, as estruturas sindicais questionam agora se a administração pretende manter esse compromisso ou se a nova calendarização poderá atrasar também a aplicação dos aumentos.
As organizações sindicais lembram ainda que a proposta inicial da empresa previa um aumento salarial de apenas cinco euros, acompanhada, segundo o comunicado, por cortes noutras rubricas remuneratórias. Na altura, a administração justificou essa posição com o contexto económico, nomeadamente a inflação e a evolução das taxas de juro. Para os sindicatos, o prolongamento do processo negocial acaba por contrariar essa argumentação, uma vez que a evolução recente do contexto económico não sustentaria novos adiamentos.
No documento, os sindicatos condenam o que classificam como uma atitude de desconsideração para com os trabalhadores da RTP, que aguardam há meses pela conclusão da negociação coletiva. Revelam ainda que enviaram um e-mail ao Conselho de Administração a exigir esclarecimentos imediatos sobre os alegados "motivos imponderáveis" e garantias de que a assinatura do acordo avançará na nova data prevista.
O comunicado é subscrito por FE, FETESE, SICOMP, SINDETELCO, SINTTAV, SITESE, SJ, SMAV e STT, numa rara posição conjunta das organizações representativas dos trabalhadores da empresa pública.
Até ao momento, não é conhecida qualquer reação pública do Conselho de Administração da RTP ao teor deste comunicado.
















