A possibilidade de o Governo apresentar uma moção de confiança, sugerida ontem por Miguel Relvas na CNN, como forma de ultrapassar o atual impasse político, foi recebida com manifesta irritação nos círculos mais próximos de Luís Montenegro.
De acordo com um artigo publicado hoje pelo Observador, a ideia foi liminarmente afastada pelo Executivo e classificada, em privado, com expressões particularmente duras, como "delírio absurdo" e "ideia obtusa", revelando o incómodo que a proposta de Relvas gerou no núcleo dirigente social-democrata
A reação surge menos de 24 horas depois de o antigo ministro e histórico dirigente do PSD ter sugerido que uma moção de confiança poderia constituir um instrumento político para clarificar a posição do Governo perante o parlamento e o País, num momento em que se multiplicam as dúvidas sobre a estabilidade da atual maioria.
Fontes governamentais garantem que esse cenário nunca esteve em cima da mesa, insistindo que o Executivo não equaciona recorrer a esse mecanismo constitucional. A contundência das declarações recolhidas pelo jornal evidencia, contudo, que a simples associação da liderança de Luís Montenegro a essa hipótese foi suficiente para gerar desconforto entre os seus colaboradores mais próximos.
Enquanto Miguel Relvas defende uma clarificação política através dos instrumentos parlamentares, a direção do PSD procura afastar qualquer cenário que possa ser interpretado como sinal de fragilidade ou de perda de controlo da iniciativa política, uma percepção que tem sido crescente nos últimos dias, com os sucessivos casos que têm envolvido alguns ministros do Executivo, e até o porta-voz do próprio partido.

















