No passado dia 5 de junho, o avião Helios Horizon tornou-se a primeira aeronave tripulada da história a voar impulsionada por baterias de estado sólido, num voo de testes realizado no aeroporto municipal de Zephyrhills, na Florida, nos Estados Unidos.
O feito representa um avanço significativo para a aviação eléctrica comercial, cujo principal obstáculo tem sido sempre a baixa densidade energética das baterias convencionais de iões de lítio. Estas utilizam um electrólito líquido para transportar a carga entre ânodo e cátodo, o que limita a quantidade de energia armazenada por quilograma insuficiente para tornar viável um voo comercial de duração razoável.
As baterias de estado sólido substituem esse líquido por materiais sólidos, tornando-as mais estáveis e resistentes, reduzindo drasticamente o risco de combustão. Mas a vantagem decisiva é outra: permitem armazenar muito mais energia no mesmo espaço. As novas células instaladas no Helios Horizon atingem 410 watt-hora por quilograma, um salto de 60% face às baterias anteriores do aparelho , e carregam de quase vazio até 80% em menos de 15 minutos, sem necessidade de infraestrutura especial.
O avião complementa ainda a sua autonomia através de painéis solares nas asas e de um sistema regenerativo que, durante o planeio e as descidas, converte a hélice numa turbina eólica para recarregar as baterias. O Helios Horizon já detém o recorde mundial de altitude para aviões eléctricos na sua categoria de peso, tendo atingido 24.000 pés, cerca de 7.300 metros. O objectivo seguinte é superar os 40.000 pés, a altitude de cruzeiro dos aviões comerciais, em voos estratosféricos previstos para o final deste ano.
O Helios Horizon não é o único projecto neste domínio. A empresa chinesa EHang testou o seu modelo eVTOL biplaza com baterias de estado sólido em voos contínuos de 48 minutos. A CATL apresentou tecnologia de bateria condensada com densidades próximas dos 500 Wh/kg. A Airbus e o Grupo Renault têm em curso um programa de I&D conjunto para duplicar a densidade energética e viabilizar aviões híbridos e eléctricos de média e longa distância até à década de 2030.
A maioria destes programas encontra-se ainda em fase de demonstrador, longe da certificação oficial. O voo do Helios Horizon é o primeiro passo concreto para além dessa fronteira.

















