Paulo Raimundo, de 50 anos, exige explicações ao Governo sobre as reservas estratégicas portuguesas de combustível armazenadas em França e quer saber quem suporta os custos da operação. O secretário-geral do PCP anunciou que o partido entregou no Parlamento uma pergunta ao Executivo de Luís Montenegro e colocou diretamente a questão: “Quem vai pagar isto tudo? É o Estado? É cada um de nós? Ou a Galp tem alguma coisa a ver com isso também do ponto de vista da comparticipação?”
O líder comunista quer conhecer “quais são os custos, quem paga” e saber se foram esgotadas todas as possibilidades de manter as reservas em território nacional. A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, explicou que o encerramento da refinaria de Matosinhos, em 2021, reduziu em cerca de um terço a capacidade de armazenamento portuguesa. Segundo o Governo AD, estão em França 132 mil toneladas de crude, menos de um décimo das reservas nacionais, que continuam propriedade do Estado português.
Raimundo deixou também um alerta sobre a refinaria de Sines, perante uma eventual aquisição por uma multinacional espanhola: “Estão preocupados com a reserva estratégica, não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, de poder refinar?”
O secretário-geral do PCP atacou ainda PS e partidos à direita, acusando-os de praticarem uma “política de porcelana”: “Querem manter a porcelana toda intacta e querem afastar da sala, da discussão, o elefante”, que identificou como os lucros extraordinários. E disparou: “Ainda esta semana foi um regabofe, discussões eternas, chamaram nomes uns aos outros”, enquanto, segundo Raimundo, ficam fora do debate os lucros da Galp, EDP, distribuição e banca.

















