A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, ao largo do estado brasileiro do Amapá. A descoberta foi feita durante a perfuração de um bloco situado na chamada Margem Equatorial, uma das principais novas fronteiras de exploração petrolífera do Brasil.

O poço está a cerca de 175 quilómetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com uma lâmina de água de aproximadamente 2.886 metros. Apesar da confirmação da presença de petróleo, a Petrobras ainda não sabe qual é a dimensão da possível reserva nem se a descoberta terá viabilidade comercial.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que serão necessários novos trabalhos de exploração para determinar a quantidade de petróleo existente na região. A empresa prevê perfurar mais três poços na área e outros cinco em zonas adjacentes, mas estas operações ainda dependem das respetivas autorizações ambientais.

A descoberta ocorre num momento estratégico para a Petrobras, que procura novas reservas para compensar a futura redução da produção dos campos do pré-sal. A estatal considera a Margem Equatorial uma região com potencial para contribuir para a produção brasileira nas próximas décadas.

A exploração da área, contudo, continua a gerar forte debate ambiental. A região da Foz do Amazonas é considerada ambientalmente sensível e inclui ecossistemas marinhos de elevada importância. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) impõe exigências relacionadas com a prevenção e resposta a possíveis derrames de petróleo.

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a continuidade da exploração durante uma visita ao Amapá. O governo brasileiro sustenta que a procura por novas reservas deve avançar com medidas de proteção ambiental e utilização de tecnologias para reduzir os riscos da atividade.

Apesar do anúncio, a Petrobras ainda não considera a descoberta como uma nova grande reserva comprovada. Será necessário concluir a avaliação do poço e realizar novas perfurações para determinar a extensão da ocorrência e o seu potencial económico.

Os resultados das próximas etapas serão decisivos para perceber se a Margem Equatorial poderá tornar-se uma nova grande fronteira petrolífera do Brasil.