A Petrobras identificou indícios considerados promissores de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, uma das regiões mais controversas da nova estratégia energética brasileira, tendo sido encontrados hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, situado em águas ultra-profundas do Amapá, a cerca de 175 quilómetros da costa. A descoberta foi feita através de perfis elétricos e de sinais detetados nas rochas, embora a companhia sublinhe que ainda não está demonstrada a existência de um reservatório comercialmente explorável.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, considera que os resultados reforçam o otimismo relativamente à chamada margem equatorial. A região é encarada pela empresa e pelo Governo de Lula da Silva como fundamental para encontrar reservas que possam compensar o esperado declínio da produção do pré-sal a partir de 2034/2035. O poço encontra-se numa zona com 2 mil e 886 metros de profundidade de água e a Petrobras detém 100 por cento do bloco.

Mas o projeto continua a provocar forte contestação ambiental. O licenciamento teve um processo particularmente atribulado e chegou a enfrentar uma recomendação de arquivamento por parte da área técnica do Ibama. A licença acabaria por ser concedida em outubro de 2025, pouco antes da COP30, em Belém. Ambientalistas argumentam que abrir novas fronteiras petrolíferas contradiz o compromisso brasileiro de redução progressiva da dependência dos combustíveis fósseis.