Luiz Inácio Lula da Silva, hoje com 80 anos, recuperou uma história insólita da relação que manteve durante décadas com Fidel Castro: o dia em que o líder cubano quase morreu engasgado durante uma refeição em sua casa, em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo. O episódio foi recordado pelo presidente brasileiro numa entrevista divulgada nos últimos dias, por ocasião do centenário do nascimento do ícone comunista.

O encontro ocorreu no período que se seguiu às eleições presidenciais brasileiras de 1989, nas quais Lula foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Segundo o relato do chefe de Estado, Fidel quis visitá-lo em casa e a deslocação foi preparada com grande discrição, por razões de segurança. Para receber o convidado, o líder do PT contou ter comprado vários tipos de carne, peixe, camarão e lagosta para preparar uma refeição especial.

A comitiva cubana seguia, porém, regras rigorosas. Um médico inspecionou a cozinha e Fidel dispunha de um “provador”, responsável por verificar previamente os alimentos. Foi então servido um bife à rolê, prato de carne enrolada que pode ser preso com um palito durante a preparação. Esse pequeno objeto acabou por transformar o almoço num momento de tensão.

Lula contou que Fidel colocou o pedaço de carne inteiro na boca sem perceber a presença do palito e começou a engasgar-se. “O médico ficou apavorado”, recordou o presidente brasileiro. Segundo a sua versão, o líder cubano tossiu várias vezes até conseguir expulsar o palito, perante o susto generalizado dos presentes.

Décadas depois, Lula admitiu que o primeiro pensamento foi para a dimensão que uma tragédia daquela natureza poderia assumir. “Imagina se o Fidel tivesse morrido na minha casa? Deus me livre”, afirmou, acrescentando que ninguém sabia como reagiriam os seguranças cubanos.

O episódio ilustra também a proximidade entre os dois dirigentes, que mantiveram uma relação política e pessoal durante décadas. Fidel Castro morreu em 2016, aos 90 anos, e completaria 100 anos no passado dia 13.