A plataforma SIION, que recorre à Inteligência Artificial para apoiar o combate aos incêndios, encontra-se atualmente em fase de testes e promete ajudar as equipas no terreno a tomar decisões mais rápidas e eficazes.

O criador do projeto, João Santos, descreve, em declarações à Lusa, a tecnologia como "um supermodelo de combate a incêndios", capaz de analisar uma enorme quantidade de informação em poucos instantes.

"A grande mais-valia é conseguir comprimir decisões num curto espaço de tempo", explicou João Santos, acrescentando que a plataforma processa dados quase em tempo real e permite fazer previsões que, de forma exclusivamente humana, seriam praticamente impossíveis.

O mesmo responsável prevê que a SIION possa começar a chegar a mais empresas e territórios entre o final deste ano e o início de 2027, depois da atual fase de testes em contexto empresarial.

Segundo João Santos, a ferramenta funciona como um sistema inteligente de apoio aos comandantes, indicando onde deverão ser posicionados os meios de combate aos incêndios: "É como se fosse um 'GPS' para comandantes."

Ao contrário de outras soluções já existentes, a SIION não se limita a prever o comportamento do fogo. A plataforma cruza vários dados para recomendar quais os recursos mais adequados e onde devem ser colocados, procurando aumentar a eficácia da resposta operacional.

"Antecipamos a decisão", confessou o fundador, referindo que o objetivo passa por otimizar a utilização dos meios disponíveis, sobretudo quando estes são limitados, além de identificar zonas de maior risco para os bombeiros e indicar o equipamento mais indicado para cada tipo de ocorrência.

Para João Santos, este tipo de tecnologia também pode reduzir o impacto do desgaste sentido pelas equipas após vários dias consecutivos no terreno: "Chega a um ponto em que já não é possível processar tanta informação. Para onde vai o vento, qual o tipo de solo, de chama... a máquina consegue fazer isto tudo em tempo recorde."

Natural de Lisboa, João Santos, de 41 anos, vem de uma família ligada aos bombeiros e juntou a formação em Engenharia Florestal a um mestrado em Inteligência Artificial e Data Science, concluído na Universidade de Liverpool.

A SIION conquistou o 2.º lugar na final nacional do ClimateLaunchpad, concurso dedicado a ideias de negócio sustentáveis, que decorreu na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. A competição foi vencida pela Latent Energy Systems, que representará Portugal na final mundial com uma solução de armazenamento térmico destinada à descarbonização do calor industrial.