Os incêndios que estão a devastar vários países do sul da Europa podem refletir-se em breve na carteira dos consumidores. Depois de meses marcados pela seca e por sucessivas ondas de calor, as chamas representam mais um golpe na agricultura europeia e deverão pressionar o preço de vários alimentos, com destaque para o azeite.

França atravessa o pior ano de sempre em área ardida, Espanha enfrenta uma situação semelhante e os incêndios alastraram também à Grécia. Embora Portugal e Itália tenham escapado, até ao momento, a cenários tão graves, a dimensão das perdas nos restantes países deverá ter impacto em todo o mercado europeu.

Grande parte das áreas afetadas corresponde a olivais, o que deverá traduzir-se numa quebra significativa da produção de azeite, um dos produtos mais emblemáticos da dieta mediterrânica. No entanto, os incêndios são apenas uma parte do problema. A falta de chuva e as temperaturas extremas, após quatro ondas de calor em poucas semanas, já vinham a comprometer as colheitas.

Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes de France estima que centenas de toneladas de produtos agrícolas, avaliados em dezenas de milhões de euros, tenham sido destruídas. Entre as culturas afetadas encontram-se alfaces, cenouras, alho, cebolas e também azeitonas.

Especialistas admitem que, em algumas regiões, a produção poderá ficar reduzida para cerca de metade do habitual. A seca prolongada está igualmente a afetar outros setores agrícolas, incluindo o vitivinícola. Na região francesa de Champanhe, por exemplo, a vindima deverá arrancar no sábado, dia 15, naquela que poderá ser a colheita mais precoce de sempre.

Em Espanha, o Ministério da Agricultura já reviu em baixa as previsões para a produção de cereais, estimando uma descida de 24 para 18,5 milhões de toneladas. Estes números foram divulgados antes dos grandes incêndios que atingiram zonas como Madrid e Ávila, o que poderá agravar ainda mais o cenário.

Também a União Europeia antecipa reduções expressivas na produção de culturas como milho, girassol, batata e soja, situação que deverá repercutir-se igualmente na indústria alimentar.

Apesar de Portugal não enfrentar, para já, uma situação tão crítica como outros países europeus, o funcionamento do mercado único faz com que as consequências sejam sentidas em todo o espaço comunitário. Assim, a expectativa é de que diversos produtos alimentares registem aumentos de preço nos próximos meses, embora ainda não seja possível determinar a dimensão nem o momento exato dessas subidas.