A contestação ao presidente Javier Milei voltou em força às ruas da Argentina. Organizações sociais e sindicais, movimentos estudantis, grupos de direitos humanos e forças políticas de esquerda marcharam este sábado, dis 19, do Congresso até à histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires, numa manifestação batizada de 'Marcha de la Bronca'.
Os milhares de participantes protestaram contra as políticas do Governo liberal e houve apelos à realização de uma greve geral. A mobilização surge num período de forte tensão social e política, marcado por protestos de diferentes setores contra medidas do Executivo. As universidades públicas são uma das frentes de contestação.
Docentes e funcionários da Universidade de Buenos Aires anunciaram mais de 20 dias de paralisações e uma nova marcha federal devido ao financiamento do ensino superior.
A situação económica argentina apresenta, porém, sinais contraditórios. O desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre e a produção industrial caiu 5% em julho, em termos homólogos. As vendas nos centros comerciais recuaram 4,9% em junho face ao mesmo mês de 2025. Em sentido contrário, a inflação mensal, durante anos um dos maiores problemas do país, abrandou para 1,7% em agosto.
Também a economia cresceu 2% no segundo trimestre em termos homólogos, embora tenha recuado 0,6% relativamente aos três meses anteriores. É neste cenário de recuperação de alguns indicadores, mas de persistente pressão social, que Milei enfrenta uma nova vaga de contestação nas ruas.

















