Foi a pontaria quase profissional de Janina White que fez disparar os primeiros alarmes entre os colegas de L.P.V., capitão-de-fragata espanhol destacado no comando marítimo da NATO em Northwood, no Reino Unido. A história, revelada pela revista Crónica, do El Mundo, transformou uma relação iniciada no Tinder num caso de segurança militar cercado de suspeitas.

Janina, de 49 anos, nasceu em São Petersburgo, é advogada e escritora e possui nacionalidades britânica e polaca. Conheceu o oficial espanhol, de 55 anos, em Outubro de 2024. O problema começou quando alguns militares viram vídeos da companheira do capitão a disparar. Segundo o jornal, acertava em alvos colocados a cerca de 270 metros, por vezes logo ao primeiro tiro.

A técnica chamou imediatamente a atenção. “Dispara como um polícia de operações especiais ou como um militar”, terá avisado um dos colegas do capitão, acrescentando que aquela pontaria não parecia ter sido aprendida num simples clube de tiro. Janina confirma que recebeu formação militar, diz ter conquistado prémios no Reino Unido e admite que chegou a pensar competir internacionalmente.

Aluna de antigo agente do KGB

As dúvidas ganharam outra dimensão devido às funções de L.P.V. no MARCOM, a estrutura da NATO responsável, entre outras missões, pela vigilância naval e submarina. A origem russa de Janina e a revelação de que frequentou, em 2020 e 2024, cursos de formação em inteligência e cibersegurança, um deles ministrado por Andrei Masalovich, antigo elemento da KGB, reforçaram as desconfianças no meio militar.

Andrei Masalovich, o ex-agente da KGB de 62 anos que se tornou influenciador no YouTube é um mestre das artes sombrias da vigilância na web

Segundo o El Mundo, em Junho de 2025, apenas 48 horas depois de o capitão comunicar que retomara a relação com Janina, foi interrogado pelo CIFAS, o serviço de informações das Forças Armadas espanholas. Meses depois, a sua habilitação de segurança viria a ser suspensa.

Janina rejeita, porém, qualquer ligação à espionagem. Sustenta que nunca foi interrogada pelas autoridades sobre esse assunto, que os cursos que frequentou tinham carácter profissional e que a sua experiência com armas nada prova sobre atividades clandestinas, dizendo ainda ter iniciado vários procedimentos legais para esclarecer o caso.

A história permanece envolta em suspeitas e versões contraditórias. Mas uma coisa parece certa: foi a extraordinária pontaria de Janina que transformou uma relação privada num assunto de segurança militar.