O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) admite que o calendário de acesso ao Ensino Superior possa ser alterado, caso os problemas registados na divulgação das notas dos exames nacionais tornem essa solução necessária. Para o presidente da estrutura, Luís Ferreira, o essencial é assegurar que os alunos confiam plenamente nas classificações que recebem.
Em declarações à agência Lusa, o responsável defendeu que um eventual adiamento dos prazos não representa o principal problema: "Mais uma semana ou menos uma semana, isso é o menos importante. O importante é que se mantenha a credibilidade do sistema e que os estudantes percebam que as notas que aparecem na pauta são efetivamente as suas notas. Eles não podem ficar com qualquer dúvida disso.”
Nos últimos dias, a publicação das classificações dos exames nacionais ficou marcada por vários constrangimentos. Depois de o Ministério da Educação ter adiado a divulgação dos resultados, as escolas apenas receberam as notas ao início da noite de sexta-feira, dia 17. Além disso, cerca de 1.400 provas surgiram inicialmente com a indicação de "suspenso" devido a falhas técnicas, situação que só começou a ser resolvida no domingo, 19, quando o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) enviou novos ficheiros às escolas.
Para Luís Ferreira, a fiabilidade do processo é particularmente importante porque o acesso ao Ensino Superior depende, muitas vezes, de diferenças mínimas entre candidatos. "Por uma décima se entra, por uma décima não se entra", recordou, salientando que uma pequena variação na nota pode alterar completamente o percurso académico de um estudante. "Se alguém não entrou em Medicina e tem de entrar num outro curso qualquer, é alguma coisa que vai ficar sempre."
O presidente do CRUP revelou ainda ter falado no domingo com o ministro da Educação. No entanto, garantiu que, nessa conversa, não foi abordada a possibilidade de alterar o calendário das candidaturas, uma vez que Fernando Alexandre acreditava que todas as situações pendentes ficariam resolvidas nesse dia.
Entretanto, perante as notícias que continuam a dar conta de problemas por resolver, Luís Ferreira admite não saber qual será a decisão do Governo, mas assegura que as universidades estarão preparadas para responder a qualquer alteração.
Embora reconheça que um eventual adiamento obrigaria a reorganizar serviços, mobilizar equipas e até adiar férias de alguns trabalhadores, garantiu que as instituições de ensino superior farão tudo para que os estudantes não sejam prejudicados: "Não deixaremos de fazer aquilo que é importante fazer para os nossos estudantes."
O responsável terminou reforçando que os alunos continuam a ser a prioridade das universidades portuguesas: "Nas universidades temos sempre como primeira prioridade os nossos estudantes, a segunda prioridade também são os nossos estudantes e a terceira também. Nós vivemos para eles e tudo faremos para que as coisas se componham na medida das possibilidades.”

















