As trocas comerciais entre Angola e o Brasil atingem 1,3 mil milhões de dólares, um volume considerado ainda muito inferior ao potencial das duas economias. A conclusão marcou o Fórum Económico Brasil–Angola, em Luanda, onde representantes políticos e empresariais defenderam uma nova fase da relação bilateral, centrada no investimento produtivo, na transferência de tecnologia e na produção local.
O ministro angolano da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, afirmou que Angola pretende substituir parte das importações e avançar para um modelo de maior autossuficiência alimentar. Para isso, defendeu que as empresas brasileiras deixem de olhar apenas para o país como mercado de destino e passem também a produzir em território angolano, criando emprego e valor acrescentado.
A embaixadora do Brasil em Angola, Eugénia Barthelmess, apontou a indústria farmacêutica, energia, biocombustíveis e agroindústria como áreas prioritárias. A diplomata destacou ainda a experiência brasileira no etanol e a adesão de Angola à Aliança Global para os Biocombustíveis. A relação não acontece num único sentido: empresas angolanas já investem no Brasil, com destaque para a Angola Cables, responsável por infraestruturas submarinas de telecomunicações, e para a TAAG, que assegura a ligação aérea direta. Luanda e Brasília procuram agora converter os laços históricos numa parceria económica mais equilibrada e com projetos de longo prazo.

















