Rui Jorge acusou Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), de ter conduzido de forma desonesta a sua saída do comando da seleção sub-21, que liderou durante quase 15 anos. Em entrevista à agência Lusa, divulgada este sábado, o antigo selecionador disse que a atitude do presidente federativo “não é de uma pessoa de bem”.

“Nem sei se me agradeceram em comunicado. O que eu sei é que acho que deveria ter saído de outra maneira, com outro respeito. Acho que foi, não só desonesto da forma como o fizeram, como também de baixo valor. De baixo valor humano, de baixo valor profissional. Isso é uma coisa que me deixa alguma mágoa”, afirmou.

O técnico considera que o processo foi “um momento feio e que não dignifica a FPF” e aponta o dedo diretamente a Proença, por não lhe ter dirigido uma palavra no momento da despedida. “São muitos anos ligados à nossa seleção e não é, para mim, admissível que, quando se vai embora, o presidente não tenha uma palavra connosco”, disse.

Rui Jorge reconhece, ainda assim, que a federação tinha legitimidade para mudar de selecionador. O que contesta é a forma.

O antigo internacional, que jogou no FC Porto e no Sporting, deixou os sub-21 em julho do ano passado, depois do Europeu da categoria, no fim do contrato. Foi substituído por Luís Freire.

Desde então, não voltou a ver nenhum jogo da seleção sub-21. Diz que ainda lhe custa ver jogadores com quem trabalhou e em relação aos quais tinha expectativas, porque “estava a idealizar uma coisa” com eles.

Garante, no entanto, que não guarda rancor ao futebol português, que acompanha agora à distância por estar a trabalhar nas seleções jovens do Azerbaijão, nem ao sucessor. Contou mesmo que telefonou a Luís Freire para lhe desejar sorte e para que fosse tão feliz nos sub-21 como ele foi.