A praia de Punta Molentis, em Villasimìus, no sudeste da Sardenha, impôs uma das medidas mais polémicas do verão italiano: a proibição de uso de guarda-sol a quem tenha entre 10 e 65 anos de idade. Só as famílias com crianças até aos 10 anos e os maiores de 65 podem instalar um único chapéu por grupo. Para toda a gente, a entrada na praia pública custa 10 euros.
Enquanto em Portugal a discussão deste verão é sobre onde se pode colocar o guarda-sol, na Sardenha o debate é sobre quem o pode usar.
A medida foi decretada pelas autoridades locais como parte de um esforço de preservação ambiental. A praia esteve encerrada desde julho do ano passado, depois de um incêndio ter devastado a área, que pertence a uma zona classificada. A câmara de Villasimìus justificou as novas regras com a necessidade de "limitar o impacto humano e garantir a proteção deste património para as gerações futuras". Estão também proibidas tendas, toldos e qualquer outra estrutura de sombra. As restrições vigoram até ao final de outubro.
A reação nas redes sociais foi de incredulidade. "Para armar um chapéu de sol tenho de alugar uma criança?", perguntou um utilizador na página do município no Facebook. Outro ironizou: "Então para ir à praia com chapéu tenho de trazer o meu avô ou ter um filho até amanhã?" Muitos apelaram ao boicote, enquanto outros disseram preferir procurar uma praia sem restrições.
A polémica surge num contexto de crescente tensão nas praias italianas. O custo médio do aluguer de duas espreguiçadeiras e um chapéu em concessões privadas (225 Euros por semana) representa um aumento de 24% nos últimos cinco anos e 6% apenas no último ano, segundo a Altroconsumo, a maior associação de defesa do consumidor italiana. A subida de preços tem levado muitos italianos a abandonar os estabelecimentos balneares privados, intensificando os protestos por mais praias públicas de acesso livre

















