A Polícia sul-coreana realizou esta quarta-feira, dia 5, buscas na sede da Starbucks, em Seul, no âmbito de uma investigação relacionada com uma campanha publicitária que gerou forte controvérsia por alegadamente fazer referência ao massacre de Gwangju, um dos episódios mais marcantes da luta pela democracia no país.
De acordo com a agência Yonhap, a operação teve início às 08:50 locais (00:50 em Lisboa) nas instalações da empresa, situadas no distrito de Gangnam.
As autoridades investigam suspeitas de ofensa às vítimas da repressão militar ocorrida durante o movimento pró-democracia da década de 1980, em Gwangju, onde morreram pelo menos 165 pessoas. O objetivo passa por apurar se os responsáveis da Starbucks Korea terão planeado a campanha promocional de forma deliberada.
A investigação ganhou novo impulso depois de a polícia ter identificado falhas na auditoria interna apresentada pelo grupo Shinsegae, parceiro responsável pela operação da marca norte-americana na Coreia do Sul. A demora na atuação das autoridades tinha sido alvo de críticas nos últimos meses.
A polémica começou a 18 de maio, data que assinala o aniversário da revolta popular de Gwangju contra a ditadura liderada por Chun Doo-hwan. Nesse dia, a Starbucks lançou uma campanha online intitulada "Dia do Tanque", destinada à promoção de copos térmicos.
O nome escolhido e alguns dos slogans utilizados foram interpretados por muitos sul-coreanos como uma alusão aos tanques militares usados para reprimir os manifestantes durante o massacre, desencadeando uma onda de indignação.
O caso levou o presidente do grupo Shinsegae, Chung Yong-jin, a apresentar um pedido público de desculpas e culminou na saída do diretor-executivo da Starbucks Korea. A campanha originou ainda boicotes promovidos por trabalhadores e instituições públicas, além de críticas do Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung.
Na sequência da controvérsia, a Starbucks Korea promoveu, em junho, ações de formação sobre história e sensibilidade social para os seus colaboradores. Para permitir a realização das sessões, as mais de duas mil lojas da cadeia no país encerraram mais cedo nesse dia.


















