Rui Pinto, de 37 anos, reagiu às buscas realizadas pelo Ministério Público nas instalações da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito de um inquérito relacionado com alegadas escutas ilegais durante a investigação do Football Leaks. As diligências surgem na sequência de uma denúncia que envolve Carlos Cabreiro, atual diretor nacional da PJ, e que questiona declarações por este prestadas em tribunal.

“Ainda em Budapeste, denunciei a existência de ligações perigosas entre elementos da nossa Polícia Judiciária e a Doyen, durante o reinado do então diretor da PJ, Almeida Rodrigues”, escreveu Rui Pinto na rede social X. O autor das revelações do Football Leaks acrescentou que posteriormente apresentou “provas”, mas acusou a justiça portuguesa de ter escolhido “branquear toda a situação”. “Agora, o caso ganhou uma nova vida e aqui continuo, a aguardar que, finalmente, se faça justiça”, concluiu.

A Procuradoria-Geral da República confirmou que as buscas e apreensões visam recolher elementos que permitam confirmar ou infirmar os factos denunciados, esclarecendo que o processo não tem, nesta fase, arguidos constituídos.

Em causa estão alegadas gravações de um encontro realizado, em 2015, numa área de serviço da A5, entre Aníbal Pinto, então advogado de Rui Pinto, e outros intervenientes. Segundo a denúncia, as gravações terão sido autorizadas por Carlos Cabreiro, que à época coordenava a investigação à criminalidade informática em Lisboa e Vale do Tejo.

A PJ confirmou as diligências e garantiu ter prestado “todo o apoio necessário”, recusando outros comentários enquanto decorre o inquérito.