Já alguma vez se interrogou sobre como a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, conseguiu manter-se praticamente intacta ao longo de mais de 4.600 anos, apesar de ter sido exposta a vários terramotos? Um novo estudo aponta para uma combinação de fatores estruturais e engenharia surpreendentemente avançada para a época.
De acordo com investigação publicada na revista científica Scientific Reports, a pirâmide apresenta um comportamento sísmico distinto do terreno envolvente, o que ajuda a reduzir a amplificação das ondas de choque durante sismos e contribui para a sua notável estabilidade ao longo dos milénios.
Construída por volta de 2600 a.C. como túmulo do faraó Quéops, a Grande Pirâmide continua a ser a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda de pé. A estrutura integra cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra e terá exigido mais de 20 anos de construção.
Com cerca de 230 metros em cada lado da base e uma área aproximada de 5,3 hectares, a pirâmide atingia originalmente cerca de 147 metros de altura. Hoje, devido à erosão e à remoção de parte do revestimento exterior em pedra calcária, a sua altura ronda os 138,5 metros.
Ao longo da história, o monumento resistiu a vários sismos significativos, incluindo um terramoto estimado de magnitude 6,8 em 1847, na região de Fayum, e outro de 5,9 em 1992, que provocou a queda de algumas pedras no topo.
Para perceber melhor a sua resistência sísmica, investigadores do Instituto Nacional de Investigação de Astronomia e Geofísica do Egito instalaram sensores em 37 pontos no interior e no exterior da estrutura. Foram recolhidos dados em diferentes câmaras internas, incluindo a Câmara do Rei, bem como no solo rochoso circundante.
As medições indicam que a pirâmide vibra entre 2 e 2,6 hertz, valores significativamente superiores aos do solo adjacente, que se situam em torno dos 0,6 hertz. Esta diferença é considerada determinante para a sua estabilidade.
Segundo os especialistas, quando um edifício entra em ressonância com a frequência do solo durante um sismo, as oscilações podem ser amplificadas de forma perigosa. No caso da Grande Pirâmide, esse fenómeno não se verifica.
“Estes elementos, em conjunto, criam uma estrutura bem equilibrada e coerente”, explicou o sismólogo Mohamed ElGabry, autor principal do estudo, à Reuters.
A investigação sugere ainda que algumas características arquitetónicas desempenham um papel adicional na dissipação de energia sísmica. Entre elas estão as chamadas câmaras de alívio, situadas acima da Câmara do Rei.
Embora tenham sido concebidas para redistribuir o peso da estrutura, os investigadores acreditam que também contribuem para reduzir as vibrações internas. “Isto sugere que estas câmaras ajudam efetivamente a dissipar a energia sísmica e a proteger a Câmara do Rei”, referiu ElGabry.
Para além destas soluções, os cientistas destacam ainda a base rochosa sólida, a geometria simétrica e a massa global da estrutura como fatores essenciais para a sua longevidade.
“O estudo destaca o extraordinário conhecimento prático de engenharia dos antigos construtores egípcios”, afirmou o geocientista Asem Salama, do Instituto Nacional de Investigação de Astronomia e Geofísica do Cairo, em declarações à Live Science.
Os investigadores pretendem agora aprofundar o estudo com novas medições e aplicar a metodologia a outras pirâmides de Gizé, embora ressalvem que cada monumento poderá apresentar soluções estruturais próprias, resultantes da evolução contínua da engenharia do Antigo Egito.

















