Uma mulher marroquina foi resgatada pela Polícia Militar, em São Paulo, depois de fazer o sinal internacional silencioso de socorro enquanto segurava um bebé ao colo. A vítima, que integra uma família de refugiados acolhida no Brasil, encontrava-se dentro da casa onde vive, na Vila Maria, na Zona Norte da cidade, quando os agentes perceberam o gesto.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o alerta foi dado pela enteada da vítima, uma adolescente de 13 anos, que contactou o número de emergência 190. Também uma funcionária da Organização das Nações Unidas (ONU), ligada ao apoio a refugiados, entrou em contacto com as autoridades depois de receber um pedido de ajuda da mulher.
À chegada ao local, os agentes entraram na habitação e aperceberam-se de que a mulher estava a utilizar o gesto reconhecido internacionalmente como um pedido discreto de ajuda em situações de violência. Para fazer o sinal, a pessoa mostra a palma da mão, coloca o polegar para dentro e fecha os restantes dedos sobre ele.
As imagens captadas durante a intervenção mostram um dos polícias a reparar no gesto enquanto a mulher segura a criança. “Eu não entender o português”, afirma a vítima, enquanto fazia o sinal. “Ela fez sinal”, responde o agente, chamando a atenção dos colegas.
Perante o pedido de socorro, os polícias retiraram a mulher e o bebé da residência. De acordo com a SSP, o marido encontrava-se alterado, pelo que foi afastado da vítima para garantir a segurança desta. O registo em vídeo mostra ainda o homem a ser algemado e detido pelos agentes.
Como a mulher não falava português, os polícias recorreram a uma aplicação de tradução no telemóvel para conseguirem comunicar com ela em árabe. A ferramenta permitiu que os agentes transmitissem as mensagens e compreendessem as respostas da vítima.
Num dos momentos da gravação, um dos militares procura acalmá-la através da aplicação: “Pode ficar tranquila. Hoje você não vai voltar. Fica tranquila.”
Com o auxílio da ferramenta, a mulher conseguiu explicar o que tinha acontecido dentro de casa. Os agentes permaneceram no local a prestar apoio à vítima e aos familiares, com a funcionária da ONU também presente para ajudar na comunicação.

















