Donald Trump anunciou esta quinta-feira, dia 15, que a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, o antigo major do Exército norte-americano que matou 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas, em 2009, não vai ser transmitida em direto. A decisão anula o anúncio feito pelo Pentágono na semana passada.
“Ele vai morrer, como previsto, por fuzilamento, mas este evento não será transmitido”, escreveu o presidente dos EUA na rede Truth Social. Trump admite que exibir a execução “para todos verem” poderia ter sido “um forte fator dissuasor” e mostrado ao mundo como a América lida com terroristas. Reconhece, no entanto, que “muitas pessoas boas e bem-intencionadas” preferem não ver Hasan morrer. Os familiares diretos das vítimas poderão assistir presencialmente, se o quiserem. “Merecem testemunhar a JUSTIÇA!”, acrescentou.
O recuo contraria o secretário da Defesa, Pete Hegseth. Na quarta-feira da semana passada, em entrevista ao canal conservador Real America’s Voice, Hegseth garantiu que a execução seria pública: “Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que é pública.” No dia seguinte, o Pentágono confirmou que haveria transmissão em direto, sem adiantar pormenores. A Casa Branca remeteu então as perguntas para o Departamento de Defesa. Questionado sobre se Hasan tinha feito algum último pedido, Hegseth respondeu: “Não quero saber.”
A execução está marcada para 3 de dezembro, em Fort Hood, às 13h00 locais (19h00 em Lisboa). Será a primeira execução militar nos EUA desde 1961, quando o soldado John Bennett foi enforcado. Será também o primeiro fuzilamento pelo Exército desde a Segunda Guerra Mundial: em 1945 foi executado o soldado Eddie Slovik, condenado por deserção.
Trump aprovou o fuzilamento a 5 de outubro, por recomendação de Hegseth. “Chegou finalmente o dia do juízo final para Hasan”, escreveu então o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell. A administração Trump tinha acrescentado em abril o fuzilamento, o gás e a eletrocussão à lista de métodos de execução admitidos.
A 5 de novembro de 2009, Hasan, psiquiatra do Exército e cidadão norte-americano de ascendência palestiniana, abriu fogo num centro médico onde militares se preparavam para ser destacados. Matou 13 pessoas e feriu 32. Atingido pela polícia, ficou paralisado da cintura para baixo. Em 2013, foi julgado por um tribunal militar, defendeu-se a si próprio, admitiu o ataque e foi condenado à morte. Alegou que queria impedir os soldados de irem para o Afeganistão matar muçulmanos.
Na mesma publicação, Trump atacou a administração de Barack Obama, a quem chamou pelo nome completo, Barack Hussein Obama. Lembrou que o FBI intercetou comunicações entre Hasan e o clérigo radical iemenita-americano Anwar al-Awlaki. Na altura, os investigadores concluíram que os emails não representavam uma ameaça, uma avaliação que viria a ser considerada uma falha grave dos serviços de informações.
Hasan ainda pode tentar adiar a execução com um pedido de habeas corpus num tribunal civil. Segundo especialistas, esse recurso pode atrasar o processo de forma significativa.

















