Donald Trump, de 79 anos, voltou a protagonizar um momento de tensão à frente da câmaras. Desta vez, o alvo da fúria do presidente norte-americano foi a jornalista Kristen Welker, da NBC, quando o republicano alegou que o apuramento do resultado das eleições primárias na Califórnia está a ser fraudulento, embora não tenha apresentado provas. Quando foi questionado pela jornalista, Donald Trump exaltou-se, chamou-lhe "corrupta", num tom gradualmente mais agressivo.
O desentendimento aconteceu no programa 'Meet the Press', da NBC, em que Trump repetiu a narrativa sobre eleições fraudulentas, que já vem a reforçar desde as presidenciais de 2020, que insiste ter vencido. Desta vez, questionou como é que os votos das eleições na Califórnia estão a ser contados há cinco dias. A jornalista explicou que não há provas de fraude e foi então que o presidente se exaltou.
Apesar de nunca apresentar nem enumerar provas da alegada fraude na Califórnia, Trump afirmou que "há mais provas do que nunca", num tom já alterado. "Vocês acham normal começar uma recontagem e, cinco dias depois, ainda não estar perto de terminar?" Depois de Kristen Welker lembrar que as autoridades eleitorais reconheceram a lentidão, mas não há evidência de crime, o republicano irritou-se cada vez mais.
"Você é corrupta ou estúpida. Você sabe que a eleição é fraudulenta. O seu órgão de comunicação sabe que é fraudulenta", insistiu o presidente. Depois de vários insultos, Trump abandonou a entrevista.
A legislação da Califórnia estabelece que, no âmbito do sistema de voto por correspondência, os boletins com carimbo postal do dia das eleições ou anterior possam ser contabilizados se forem recebidos até sete dias após o ato eleitoral. Segundo as projeções dos meios de comunicação locais, o democrata Xavier Becerra deverá avançar para a eleição geral para governador da Califórnia, enquanto o seu adversário republicano ainda está por definir, entre o magnata Tom Steyer e o antigo colaborador da Fox News Steve Hilton, apoiado publicamente por Trump.
Não é a primeira vez que Trump tem este tipo de comportamento. Noutras ocasiões, já mandou jornalistas se calarem, sobretudo mulheres. Numa dessas vezes, até chamou "porca" ("quiet, piggy") quando uma jornalista tentou fazer uma pergunta sobre o caso Epstein.

















