A Comissão Europeia retirou o financiamento plurianual de dois milhões de euros à Bienal de Veneza, alegando que o regresso da Rússia à edição de 2026 (decorre até novembro) viola os valores democráticos da União Europeia. A decisão foi tomada pela agência EACEA, após parecer jurídico e recomendação de Bruxelas.
Segundo o porta‑voz Thomas Regnier, eventos financiados por fundos europeus devem promover valores democráticos, diversidade e liberdade de expressão, princípios que, afirma, “não são respeitados na Rússia de hoje”.
A Bienal lamentou o corte, defendendo que o subsídio cancelado se destinava a projetos sem ligação ao pavilhão russo, e garantiu que o impacto no orçamento é reduzido. Ainda assim, promete contestar a decisão “em todas as instâncias competentes”.
A edição deste ano já estava marcada por polémicas: o júri internacional demitiu‑se em abril após propor excluir países cujos líderes fossem acusados de crimes contra a humanidade, atingindo diretamente Israel e Rússia. Em resposta, a organização adiou o Leão de Ouro e introduziu os novos 'Leões dos Visitantes', votados pelo público.
Vários artistas e 39 pavilhões, incluindo Portugal, representado por Alexandre Estrela, retiraram‑se do prémio em protesto contra a participação de Israel e Rússia e em solidariedade com o júri.
O pavilhão russo, que apresentou a exposição 'The Tree Is Rooted in the Sky', permanece encerrado ao público após críticas de artistas ucranianos, do coletivo Pussy Riot e de outros setores culturais.
Criada em 1895, a Bienal de Veneza é uma das mais importantes mostras de arte contemporânea, reunindo cerca de cem pavilhões nacionais e dezenas de eventos paralelos.

















