Pedro Sánchez, de 54 anos, acusou esta segunda-feira, dia 31, a Rússia, Israel e a chamada “internacional de extrema-direita” de estarem entre os atores associados à difusão de desinformação que poderá ter contribuído para a chegada em massa de migrantes a Ceuta, no final de julho.
Numa entrevista à Cadena SER, a primeira em que abordou de forma detalhada a crise, o presidente do Governo espanhol garantiu que as autoridades continuam a tentar esclarecer o que esteve na origem dos acontecimentos de 30 e 31 de julho.
Entre os elementos em análise está a circulação, nas redes sociais, de interpretações falsas ou distorcidas sobre uma decisão judicial relativa à devolução de migrantes que entram a nado em território espanhol. “Deturpou-se uma sentença do Tribunal Supremo”, sustentou Sánchez, considerando que a informação foi posteriormente aproveitada por organizações criminosas.
O chefe do Executivo espanhol referiu ainda que algumas dessas mensagens terão sido impulsionadas através de redes sociais ligadas à Rússia, Israel e a grupos de extrema-direita. Na sua opinião, a migração está a ser utilizada como “arma política” para provocar instabilidade e alimentar divisões dentro da Europa.
Sánchez deixou, contudo, uma ressalva: não há, para já, provas de que os governos dos países mencionados tenham dirigido diretamente essas campanhas de desinformação, nem está totalmente esclarecida a origem das mensagens.
Durante a entrevista, o líder do Governo espanhol abordou também a polémica em torno da informação recebida antes da entrada massiva de migrantes. Sánchez confirmou que o Centro Nacional de Inteligência (CNI) enviou relatórios de situação previamente, mas afirmou que nenhum deles permitia prever a dimensão que o fenómeno viria a atingir: “O CNI partilhou relatórios de situação, mas não houve nenhuma informação que refletisse a magnitude da crise que íamos sofrer.”
O presidente do Governo espanhol rejeitou também a possibilidade de as autoridades marroquinas terem estado envolvidas na origem da chegada em massa: “Nenhum centro de inteligência com que o Governo de Espanha colabora habitualmente levanta qualquer dúvida sobre a participação, de uma ou de outra forma, das autoridades marroquinas.”
Pelo contrário, Sánchez destacou a resposta de Rabat durante a crise, considerando que Marrocos ofereceu uma cooperação “instantânea, imediata” e classificando a relação atual entre os dois países como “francamente positiva”.
Um mês depois da crise, cerca de 5 mil migrantes permanecem em Ceuta, entre os quais aproximadamente 1.200 menores, segundo os números apresentados por Sánchez.
O governante garantiu que “nove em cada dez” das pessoas que chegaram durante o período de maior pressão migratória já regressaram a Marrocos. O Executivo pretende agora reforçar a capacidade de acolhimento na cidade autónoma para cerca de 6 mil lugares.

















