O regime venezuelano terá abandonado os esforços para conseguir a libertação de Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos, e passou a privilegiar a sobrevivência política e a aproximação a Washington. A decisão representa uma mudança profunda na estratégia da liderança interina de Delcy Rodríguez, que anteriormente classificara a captura do antigo Presidente como um ato de agressão.

As negociações realizadas com representantes da oposição terminaram sem qualquer exigência concreta relativa à libertação de Maduro. Em contrapartida, o poder em Caracas aceitou libertar 131 presos políticos, embora organizações de direitos humanos afirmem que apenas 78 saíram efetivamente da prisão.

Delcy Rodríguez terá substituído responsáveis militares próximos de Maduro por aliados próprios e procurado estabelecer uma relação funcional com a administração norte-americana. Em troca de uma maior abertura política e económica, os Estados Unidos aliviaram restrições sobre o setor petrolífero venezuelano, facilitaram a entrada de investimento estrangeiro e permitiram o acesso do regime a receitas provenientes da venda de petróleo. Entre os setores mais fiéis ao antigo líder cresce, porém, a acusação de traição.