Frederico Colaço Antunes, mais conhecido por Fred Antunes, declarou um património que inclui 33,7 milhões de euros em criptomoedas, bem como imóveis nas Bahamas e em Andorra, segundo a declaração de rendimentos, património e interesses entregue à Entidade para a Transparência e consultada pelo jornal O Mirante. O antigo presidente da RealFevr, empresa portuguesa de tecnologia ligada aos NFT e ao futebol que entretanto encerrou atividade, é atualmente vereador do Chega na Câmara Municipal de Benavente.

A declaração foi apresentada na sequência da eleição de Fred Antunes como vereador nas eleições autárquicas de outubro de 2025. Cabeça de lista do Chega no concelho ribatejano, o empresário conduziu o partido ao segundo lugar, com 26,6% dos votos, resultado que garantiu a eleição de dois vereadores: o próprio e Paulo Cardoso.

O património declarado confirma a dimensão dos investimentos em ativos digitais feitos por Fred Antunes ao longo da última década. Considerado um dos primeiros investidores portugueses em bitcoin, o empresário afirmou, numa entrevista ao ECO em 2021, que a aposta na criptomoeda lhe tinha dado "riqueza para dez encarnações". Quatro anos depois, a declaração patrimonial agora tornada pública revela ativos em criptomoedas avaliados em cerca de 33,7 milhões de euros.

Além dos investimentos digitais, a declaração inclui a propriedade de uma habitação nas Bahamas e outra em Andorra, dois territórios frequentemente associados à residência de investidores internacionais devido aos respetivos regimes fiscais.

Fred Antunes tornou-se conhecido no ecossistema tecnológico português por liderar a RealFevr, plataforma fundada em 2015 e que ganhou notoriedade durante o auge dos NFT (tokens não fungíveis), ao estabelecer parcerias com várias ligas e jogadores de futebol. A empresa captou milhões de euros junto de investidores nacionais e internacionais e chegou a ser apontada como uma das principais startups portuguesas na área da Web3. Contudo, após o arrefecimento do mercado dos ativos digitais, a RealFevr acabou por cessar atividade.

A divulgação do património resulta das obrigações legais de transparência aplicáveis aos titulares de cargos políticos, que devem comunicar à Entidade para a Transparência os seus rendimentos, património e interesses, permitindo o escrutínio público da evolução da sua situação patrimonial.