A vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, desloca-se a Lisboa para apresentar um livro dedicado às reformas laborais em Portugal e Espanha, numa iniciativa que promete ultrapassar a mera dimensão académica e pode criar algum "irritante" diplomático entre Madrid e Lisboa, num contexto europeu marcado pelo debate sobre produtividade, salários e competitividade.

A visita surge, contudo, num momento politicamente sensível. As conclusões defendidas por Yolanda Díaz colidem com algumas das orientações do Governo liderado por Luís Montenegro, que tem vindo a privilegiar uma abordagem mais favorável à flexibilização do mercado laboral e à redução de constrangimentos regulatórios para as empresas.

Embora a deslocação tenha caráter editorial, o simbolismo político é inevitável. Afinal, trata-se de uma das principais figuras do executivo de Pedro Sánchez a defender em Lisboa uma visão alternativa à seguida pelo Governo português.

Num contexto europeu marcado pelo debate sobre produtividade, salários e competitividade, a presença de Yolanda Díaz em Portugal, que partilhará a apresentação da obra "Governing Solidarity in European Labour Markets" com Ana Mendes Godinho, a antiga ministra de Trabalho de António Costa, acaba por transformar uma mera apresentação de livro numa intervenção com claras leituras políticas, lançando um desafio direto às opções defendidas pelo executivo português.