O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, de 54 anos, desvalorizou esta segunda-feira, dia 27, os resultados de uma sondagem que revela uma quebra de confiança dos portugueses na capacidade da tutela para gerir os exames nacionais, afirmando que "sondagens há muitas" e defendendo que a confiança deve ser medida pelo processo de classificação das provas.

Questionado pelos jornalistas, na Figueira da Foz, sobre o barómetro DN/Aximage, o governante da AD respondeu que o mais relevante é o facto de a esmagadora maioria dos alunos ter recebido as classificações sem problemas: "Sondagens? Há muitas sondagens. Aquilo que sinto é que nós tivemos 290 mil provas, os alunos receberam o PDF, verificaram a sua nota. Como eu disse há pouco, houve 825 provas em 290 mil que terão uma desconformidade que vai ser corrigida. Acho que essa é que é a medida de confiança."

Fernando Alexandre sustentou ainda que a confiança dos alunos e das famílias resulta da validação das classificações atribuídas: "Quando nós temos a grande, grande maioria dos alunos a receber a prova, a reconhecer que aquela é a prova deles e que a classificação está adequada, e se não estiver pede a reapreciação, essa é que é a base da confiança que nós estamos a construir."

As declarações surgem depois de o barómetro Diário de Notícias/Aximage, realizado nos dias 20 e 21 de julho junto de 501 inquiridos, indicar que 54% consideram má (31%) ou muito má (23%) a capacidade da atual equipa do Ministério da Educação para organizar as próximas fases e épocas dos exames nacionais. Em sentido inverso, apenas 4% classificam essa capacidade como muito boa e 12% como boa.

A mesma sondagem conclui que 76% dos inquiridos atribuem a responsabilidade pelas falhas e atrasos na correção dos exames nacionais ao ministro, ao primeiro-ministro e ao Governo, enquanto professores e sindicatos recolhem 12% das respostas.

Entretanto, arrancaram esta segunda-feira as inscrições para a época especial dos exames nacionais do ensino secundário, uma medida excecional criada para mitigar os efeitos dos atrasos na correção digital das provas. O prazo para inscrição decorre até sexta e a nova fase de exames realiza-se entre 3 e 8 de setembro, estando disponível para todos os alunos que reuniam condições para realizar a 2.ª fase, independentemente de a terem efetuado.