Os acampamentos de protesto pela habitação mantêm-se esta manhã no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. Milhares de manifestantes passaram a noite nas duas praças, depois da jornada nacional de protestos de ontem contra o custo de vida.
Em Lisboa, os manifestantes organizaram-se por turnos durante a madrugada, com receio de uma intervenção policial que acabou por não acontecer, e não houve incidentes de maior com a exceção do momento em que um homem decidiu ‘grafitar’ uma das estátuas do Rossio. De madrugada, a PSP não tinha intenção de intervir e o grande dispositivo policial da tarde tinha praticamente desaparecido, restando duas carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida. Para hoje está prevista uma assembleia popular da habitação no Largo de São Domingos, convocada pelo movimento Casa para Viver.
A ‘acampada’ lisboeta começou ontem pelas 17h00, pouco depois de a marcha da CGTP ter terminado no Rossio. Ao início da noite estariam pelo menos 2.500 pessoas na praça, e uma assembleia popular aprovou seis exigências: revogação da lei das rendas, fim das demolições e despejos sem alternativa, travão à compra de casas por fundos imobiliários, mais habitação pública, recuperação de imóveis devolutos por iniciativa pública e tetos às rendas. A organização avisou os participantes de que ficar depois das 00h30 seria por sua conta e risco, já fora da legalidade.
No Porto, cerca de 300 pessoas continuavam na Praça D. João I pelas 4h00 de hoje, e o movimento voltou a erguer mais de 50 tendas.
A praça portuense está ocupada desde o dia 10 deste mês. Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas, e a Câmara alegou ocupação ilegal e degradação do espaço público. Na quarta-feira, o presidente da autarquia, Pedro Duarte, prometeu ser "absolutamente implacável" e avisou que a praça "não é um parque de campismo".
Na madrugada de quinta-feira, os manifestantes voltaram a montar tendas, que a polícia retirou, numa carga policial que, segundo a organização, fez quase 40 feridos. O movimento acusa a polícia de uso de força "extrema, desproporcional e injustificada". A PSP confirmou um agente ferido e feridos entre os manifestantes, e justificou a intervenção com "comportamentos de resistência".
A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo para apurar as circunstâncias da intervenção e já pediu informações à PSP. A PSP, por seu lado, enviou ao Ministério Público uma participação com imagens das câmaras de videovigilância da praça, que diz permitirem identificar suspeitos de resistência e coação, agressão e injúrias.
Na noite de quinta-feira, mais de duas mil pessoas juntaram-se na Praça D. João I em protesto contra a carga policial.

















