A União Europeia quer pôr um travão à avalanche de encomendas das plataformas chinesas e a próxima Black Friday promete refletir essa ofensiva, pelo que a partir de 1 de novembro será aplicada uma taxa de gestão de dois euros por artigo, que acresce à cobrança de três euros por categoria de produto nas pequenas encomendas provenientes de fora da UE.

Conhecida como 'taxa Shein', a medida procura combater a concorrência desleal e aliviar a pressão sobre as alfândegas. Embora os encargos recaiam inicialmente sobre vendedores e plataformas, poderão acabar refletidos no preço pago pelos consumidores.

Os efeitos já se fazem sentir. Em França, as importações de pequenos pacotes chineses caíram entre 30 e 40 por cento desde julho, segundo dados do Ministério da Economia citados pelo jornal. A aplicação Joko, por exemplo, regista quebras nas vendas de 50% na Temu, 37% no AliExpress e 15% na Shein.

Esta última beneficia de um grande armazém na Polónia, que permite abastecer clientes com mercadoria já situada no espaço europeu. Parte das encomendas não desaparece: muda de percurso.

A dimensão do fenómeno explica a reação de Bruxelas: em 2025, a UE recebeu cerca de 5900 milhões de artigos de baixo valor, 93 por cento provenientes da China.