Na família Le Pen, os laços de sangue cruzam-se com alianças, ruturas e disputas pelo poder. Philippe Olivier conhece bem esse terreno: casado com Marie-Caroline, irmã mais velha de Marine Le Pen, passou de afastado do clã a homem de confiança da líder da União Nacional.

Segundo é voz-corrente nos bastidores da política francesa, o eurodeputado e estratega é hoje uma das figuras mais próximas de Marine. Mas o percurso até ao centro do poder esteve longe de ser linear.

Militante da Frente Nacional desde os 17 anos, Olivier alinhou com Bruno Mégret na cisão de 1998, desafiando o sogro, Jean-Marie Le Pen. A mulher acompanhou-o na rutura, que lhes custou o apoio político e financeiro do patriarca. A reconciliação familiar demoraria duas décadas.

O regresso começou em 2007, quando se aproximou de Marine como conselheiro informal. Com a chegada desta à liderança, em 2011, defendeu uma formação mais ampla, «patriótica e social», ajudando a reformular a comunicação e a suavizar a imagem do partido para conquistar novos eleitores.

A expulsão de Jean-Marie, em 2015, consolidou a influência de Olivier junto da cunhada. O homem que rompera com o fundador tornou-se um dos principais conselheiros da filha que o afastou.

Hoje, as tensões em torno de Marine e de Jordan Bardella voltam a colocar a família no centro da disputa. Nolwenn, filha de Olivier e antiga namorada de Bardella, integra a comunicação partidária. No clã Le Pen, a política continua a ser um assunto de família.