Um Airbus A330-900 da companhia aérea brasileira Azul permanece imobilizado no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, desde o dia 17 de abril, na sequência de danos estruturais provocados pela deslocação de uma palete no interior do compartimento de carga.

De acordo com um relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a aeronave chegou de Viracopos, em Campinas, no Brasil, sem que a tripulação detetasse qualquer anomalia durante o voo ou na aterragem.

O problema foi identificado já depois de o avião ter chegado ao estacionamento. Ao abrir o compartimento de carga dianteiro, os funcionários de assistência em terra verificaram que uma palete, com cerca de 2608 quilos, tinha deslizado para a frente e ficado presa contra os painéis interiores.

O movimento provocou danos significativos na estrutura e nos revestimentos do avião. Entre as áreas afetadas estava uma viga junto ao compartimento de aviónicos dianteiro, que ficou deformada e fraturada.

A investigação atribui o incidente a falhas no acondicionamento da carga no aeroporto de origem. A palete não terá ficado devidamente fixada pelos mecanismos de retenção, permitindo que se deslocasse durante a aterragem.

A análise interna realizada pela companhia identificou ainda problemas nas operações de carregamento em São Paulo. Entre as falhas apontadas estão a experiência limitada de alguns trabalhadores, a ausência do supervisor no início dos trabalhos e lacunas na formação dada pela empresa responsável pela assistência em terra.

Apesar dos estragos registados, os passageiros desembarcaram em segurança. A tripulação não comunicou qualquer irregularidade e os sistemas da aeronave também não emitiram alertas. O avião foi retirado de serviço após o incidente e continua estacionado em Lisboa.