Os novos controlos biométricos nas fronteiras externas da União Europeia estão a gerar fortes críticas por parte de aeroportos e companhias aéreas, que alertam para o risco de caos operacional durante o pico das férias de verão. O sistema Entry-Exit System (EES), concebido para reforçar a segurança através do registo digital de passageiros de países terceiros, continua a enfrentar graves dificuldades técnicas e logísticas, apesar de estar em implementação desde outubro do ano passado.

O EES obriga à leitura do passaporte, recolha de impressões digitais e fotografia dos viajantes oriundos de países fora da União Europeia. No entanto, vários Estados-membros continuam ainda a adquirir equipamentos essenciais, enquanto muitos aeroportos denunciam falhas nos leitores biométricos, problemas de software e tempos de espera considerados incomportáveis.

Segundo responsáveis do setor, passageiros têm aguardado até três horas e meia para concluir os procedimentos fronteiriços. Em países como Portugal, Suíça, Bélgica e Grécia, as autoridades chegaram mesmo a suspender temporariamente a recolha de dados biométricos para evitar congestionamentos. Em algumas ilhas gregas, os viajantes foram obrigados a permanecer na pista à espera de autorização para entrar no terminal.

A Associação Europeia de Aeroportos (ACI Europe) considera que o sistema “simplesmente não funciona” e acusa a Comissão Europeia de ter ignorado os impactos operacionais da medida. Também a Ryanair pediu a suspensão da implementação em Espanha, classificando o projeto como “mal preparado”, após filas superiores a uma hora nos controlos fronteiriços.