Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) próximos de Lula da Silva defendem que o Presidente brasileiro estude uma forma de encurtar a pena de Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliária, uma hipótese que foi avançada esta semana pela influente e bem-informada jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Entre as opções discutidas estão um indulto, um perdão individual — a chamada graça presidencial — ou a comutação da pena. A notícia atribui a ideia a interlocutores diretos de Lula e deixa em aberto a posição do Presidente.

O calendário político de 2027 ajuda a explicar por que razão a sugestão parte do próprio partido de Lula. Com uma bancada bolsonarista reforçada pelas eleições, os aliados do antigo Presidente poderão levar ao Senado uma proposta de amnistia mais ampla.

Na leitura dos dirigentes ouvidos por Bergamo, se Lula tomar a iniciativa, a oposição perderá um dos argumentos para fazer da situação de Bolsonaro o tema dominante dos primeiros meses do novo mandato, remetendo para segundo plano a agenda económica do Governo.

Há também uma via que passa pelo Supremo Tribunal Federal. Alguns aliados admitem que Lula possa defender junto do tribunal a validade da chamada Lei da Dosimetria. Aprovada pelo Congresso, a lei prevê a redução das penas de Bolsonaro e de outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, uma lei a que o controverso juiz Alexandre de Moraes suspendeu os efeitos.