A Altice chegou a acordo para vender a operadora móvel israelita Hot Mobile, numa operação avaliada em 1,22 mil milhões de shekels (cerca de 350 milhões de euros), prosseguindo a estratégia de alienação de ativos iniciada pelo grupo controlado por Patrick Drahi, que continua a atravessar serias dificuldades, com um endividamento que os mercados consideram “muito preocupante”.

A empresa será adquirida por um consórcio formado pela Delek Israel, Keystone e Leumi Partners, que irá pagar a totalidade do valor a pronto. A conclusão da operação está prevista para o final deste ano, dependendo ainda da aprovação das autoridades reguladoras israelitas, entre as quais a Autoridade da Concorrência e o Ministério das Comunicações.

A Hot Mobile representou cerca de um quarto das receitas da Altice International em 2025, sendo um dos principais ativos do grupo no mercado israelita. Ainda assim, a alienação enquadra-se no processo de reestruturação financeira da Altice, que nos últimos anos tem reduzido a sua presença internacional através da venda de várias operações.

Depois de já se ter desfeito dos negócios em França, reduzido o negócio na República Dominicana, e preparar-se para reestruturar, com despedimentos à mistura, a operação em Portugal, onde há muito se fala numa previsível venda, a  Altice ficará concentrada apenas em parte das suas atividades em Israel, mantendo sobretudo a operação de internet fixa e outros serviços de telecomunicações. Em 2025, a empresa registou um volume de negócios anual de cerca de mil milhões de euros.

A venda da Hot Mobile constitui mais um passo na reorganização do universo Altice, num contexto em que Patrick Drahi continua a procurar reduzir o elevado nível de endividamento do grupo, privilegiando a alienação de ativos considerados não estratégicos e reforçando a liquidez da empresa.