Centenas de estudantes da Escola Artística Soares dos Reis, no Porto, protestam esta terça-feira, dia 27, contra aquilo que consideram ser a falta de investimento na Educação. Entre as principais exigências estão a gratuitidade dos materiais escolares, o fim dos exames nacionais e a melhoria das instalações.

A manifestação começou por volta das 08:00, com os alunos a entoarem palavras de ordem e a exibirem cartazes com as suas reivindicações. Com a escola encerrada, o número de participantes tem aumentando ao longo da manhã e alguns estudantes chegaram a montar tendas no pequeno jardim em frente ao edifício.

Em declarações aos jornalistas, Isabela Charrua chamou a atenção para os custos associados ao ensino artístico e para o desgaste dos equipamentos utilizados nas aulas. Segundo a estudante, as despesas com materiais variam consoante as disciplinas e os projetos, podendo chegar aos 30 euros num mês para trabalhos de tecnologias. Noutros casos, os gastos rondam os 15 euros mensais.

A aluna alertou ainda para as dificuldades financeiras de alguns colegas, que não conseguem suportar estes encargos e dependem da partilha de materiais ou do empréstimo de equipamentos por parte de antigos estudantes.

Além das condições de ensino, o protesto serviu para chamar a atenção para o problema da habitação, que afeta muitos jovens. Vera Sousa explicou à agência Lusa que a manifestação representa também um gesto de solidariedade com o acampamento pelo direito à habitação que decorre no Porto.

A estudante contou que não tem condições para pagar cerca de 400 euros por um quarto e, por isso, desloca-se diariamente de Penafiel para assistir às aulas. O percurso obriga-a a utilizar comboio, metro e autocarro para conseguir chegar à escola às 08:00.

Entre as restantes reivindicações estão o fim dos exames nacionais, a redução da carga horária e a requalificação das instalações. Para Isabela Charrua, é necessário garantir melhores condições aos estudantes e reconhecer o seu papel na construção do futuro do País.

Direção considera reivindicações legítimas

A direção da Escola Artística Soares dos Reis manifestou compreensão pelas preocupações dos alunos e reconheceu a necessidade de melhorar algumas condições de trabalho, sobretudo no que diz respeito aos materiais utilizados no ensino artístico especializado.

Jorge Delmar, elemento da direção, considerou legítimo o direito à manifestação e afirmou que a escola não pretende agravar o conflito nem recorrer à polícia para obrigar à abertura das instalações: “Eles têm legitimidade em manifestar-se, faz parte de todo o processo, até da democracia.”

O responsável destacou ainda as particularidades deste tipo de ensino em Portugal, referindo que existem apenas duas escolas públicas de ensino artístico especializado desta natureza no país: a Escola Artística Soares dos Reis, no Porto, e a Escola Artística António Arroio, em Lisboa.

Créditos: @vozaosestudantes/Instagram