O fim das negociações entre a Galp e a Moeve, anunciado esta segunda-feira, dia 26, como o 24horas noticiou ontem, não é um episódio isolado no historial da petrolífera espanhola e dos seus acionistas, o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, e o grupo norte-americano Carlyle. Nos últimos anos, várias operações de grande dimensão ficaram pelo caminho.

O primeiro caso remonta a 2018, quando a então Cepsa, hoje Moeve, cancelou a entrada em bolsa, perante condições desfavoráveis de mercado e divergências quanto à valorização pretendida.

Três anos depois, em 2021, a Carlyle viu fracassar a oferta sobre a japonesa Japan Asia Group por não conseguir reunir as ações necessárias. Mais recentemente, em 2025, as conversações para uma eventual aquisição da própria Carlyle pelo grupo australiano Macquarie também terminaram sem acordo.

Outro revés ocorreu em março de 2025, quando a Energean cancelou a venda de ativos no Mediterrâneo à Carlyle, num negócio de 945 milhões de dólares, cerca de 810 milhões de euros, devido à ausência de autorizações regulatórias em Itália e no Egito, o que veio engrossar ainda mais este historial, onde também se podem somar ainda dificuldades noutras operações envolvendo a Mubadala, incluindo a alienação de ativos no Brasil.

Como se esta sucessão de fracassos negociais não chegasse, agora foi a vez da Galp juntar-se a esta quase interminável lista, sendo que o projeto previa integrar refinarias e redes de distribuição, criando um dos maiores operadores energéticos da Península Ibérica.

As divergências comerciais e de valorização entre Moeve e a petrolífera impediram o acordo, apesar de longos meses de negociações, sendo que o desfecho significa para a Galp conservar o controlo dos seus ativos estratégicos, incluindo a refinaria de Sines.

Este longo historial deixa uma questão no ar: até que ponto as exigências de valorização e as estratégias dos acionistas da Moeve têm dificultado a concretização de grandes operações?