Miguel Pinto Luz reconhece que o Governo tem de escutar os protestos sobre a crise da habitação, mas mantém a aposta no aumento da oferta e acusa partidos de instrumentalizarem o descontentamento. “Temos de ouvir a rua”, afirmou o ministro das Infraestruturas e Habitação, numa entrevista ao podcast “Política com Assinatura”, da Antena 1.

Perante as manifestações em Lisboa e no Porto, o governante defendeu serenidade e tolerância, sem abdicar da orientação do executivo: construir mais casas, públicas e privadas. “O Governo não legisla com gritos”, sublinhou, insistindo na confiança nas medidas em curso.

Embora reconheça que as dificuldades de acesso à habitação atravessam gerações, Pinto Luz apontou o Bloco de Esquerda como um dos partidos que procuram aproveitar politicamente a contestação. Rejeitou que os protestos coloquem a democracia em causa, mas considerou que a atuação partidária dificulta a construção de consensos.

O ministro recusou também a ideia de silêncio de Luís Montenegro, lembrando as intervenções públicas do primeiro-ministro e dos restantes membros do Governo.

No que diz respeito à revisão do arrendamento, mostrou confiança no cumprimento do acordo entre PSD e Chega, admitindo espaço para acolher as exigências de André Ventura, incluindo as relativas às cauções e à proteção dos mais vulneráveis.