Angola está a afirmar-se como um dos destinos emergentes no turismo de cruzeiros em África, apostando na autenticidade cultural, na localização estratégica no Atlântico Sul e na modernização das suas infraestruturas portuárias para captar operadores internacionais e turistas de elevado poder de compra.

A estratégia tem vindo a ser impulsionada por investimentos nos portos de Luanda, Lobito e Namibe, bem como pela ambição de transformar o país numa escala regular nas rotas atlânticas de cruzeiros. Segundo Manuel Lázaro, CEO da Alegrangola SA, o objetivo passa por posicionar Angola como um “destino emergente de alta autenticidade”, capaz de oferecer experiências diferenciadoras, desde turismo histórico e cultural até roteiros ligados à natureza e ao deserto do Namibe.

Os dados apresentados apontam para um crescimento gradual do setor. As projeções indicam a chegada de cerca de 2.500 passageiros na temporada 2025-2026, número que poderá atingir os 4.000 turistas por ano a partir de 2027. A meta definida pelas autoridades e operadores privados passa por ultrapassar os 50 mil cruzeiristas anuais na próxima década, gerando receitas diretas superiores a 150 milhões de dólares.

Além do impacto turístico, o segmento é visto como motor de dinamização económica, envolvendo hotelaria, restauração, artesanato, transportes e pequenas empresas locais. Angola procura ainda captar novas rotas lusófonas de cruzeiros e consolidar parcerias internacionais com grandes operadores marítimos.

Apesar do potencial, persistem desafios ligados à logística, mobilidade terrestre, qualificação de recursos humanos e modernização dos terminais portuários. Ainda assim, os operadores acreditam que Angola poderá tornar-se uma referência regional no turismo de cruzeiros culturais e de experiência nos próximos anos.