Seis meses depois das últimas eleições autárquicas, em que o PS registou um dos piores resultados de sempre em Cascais, os socialistas cascaenses preparam-se para uma disputa interna que já é vista como o primeiro grande ensaio para a escolha do candidato à Câmara Municipal em 2029.
A atual liderança concelhia, encabeçada por João Ruivo — candidato derrotado nas últimas autárquicas — enfrenta agora uma inesperada oposição interna protagonizada por Ricardo Pires, militante discreto e antigo candidato à Junta de Freguesia de Carcavelos. A candidatura de Pires, sob o lema ‘Por um Cascais com futuro’, é apontada por vários setores socialistas como sendo próxima de Miguel Costa Matos, deputado e uma das figuras emergentes do PS a nível nacional.
Nos bastidores, a disputa é interpretada como sinal evidente de divisão interna. A liderança de João Ruivo tem vindo a ser alvo de críticas devido aos resultados eleitorais alcançados e também à estratégia seguida após as autárquicas. Recorde-se que, numa primeira fase, o PS aceitou pelouros no executivo liderado pelo PSD de Cascais, ao abrigo de um acordo pós-eleitoral, acabando meses mais tarde por abandonar o executivo e regressar à oposição, invocando a distribuição de pelouros aos vereadores eleitos pelo Chega.
Apesar da contestação interna, João Ruivo já formalizou a sua recandidatura à liderança do PS Cascais sob o lema “Cascais para todos”, afirmando avançar “com humildade e determinação” para construir “um Partido Socialista forte”.

Mas no interior do partido cresce a convicção de que o verdadeiro objetivo político desta disputa poderá passar por preparar o terreno para Miguel Costa Matos assumir futuramente a candidatura socialista à autarquia em 2029. Um histórico dirigente socialista ouvido pelo 24 Horas resume mesmo a leitura dominante nos corredores do partido: “Ricardo Pires é uma espécie de ‘lebre’ de Costa Matos, não passa disso mesmo, está lá só para abrir caminho”.

















