O Ministério dos Negócios Estrangeiros assinalou este sábado o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia com uma publicação nas redes sociais onde surge hasteada a bandeira LGBT+, numa iniciativa que partiu de orientações políticas do ministro Paulo Rangel, atitude essa que está a gerar alguma controvérsia mesmo entre os diplomatas portugueses.

Na mensagem divulgada através das plataformas oficiais do MNE, Portugal reafirma o “compromisso com a promoção e proteção dos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+” e com a construção de “uma sociedade mais justa, inclusiva e livre de discriminação”. A publicação foi acompanhada por uma imagem da bandeira arco-íris hasteada num edifício diplomático.

A iniciativa ganha um significado político adicional pelo facto de Paulo Rangel ter assumido publicamente, nos últimos anos, a sua homossexualidade, tornando-se uma das figuras de maior relevo da política portuguesa a fazê-lo. O atual chefe da diplomacia portuguesa tem defendido, de forma consistente, causas ligadas aos direitos humanos, à inclusão e ao combate à discriminação.

O gesto do MNE surge numa fase em que vários governos europeus reforçam posições institucionais de apoio às comunidades LGBT+, perante o crescimento de movimentos conservadores em diversos países. Ainda assim, a publicação deverá suscitar críticas de setores mais à direita, que contestam o envolvimento simbólico do Estado em matérias identitárias e culturais, e que acusam o chefe da diplomacia portuguesa de confundir a sua própria agenda pessoal com a agenda do Estado português em matéria de política externa.