O Ministério Público de Paris abriu uma investigação por suspeitas de “tráfico de seres humanos”, na sequência da divulgação de milhares de ficheiros ligados a Jeffrey Epstein.
De acordo com as autoridades francesas, o objetivo da investigação passa por identificar eventuais cúmplices em França que possam ter contribuído para a rede de exploração associada a Epstein, nomeadamente através do fornecimento de jovens raparigas.
Em declarações à rádio RTL, a procuradora Laure Beccuau sublinhou que, “até ao momento, nenhuma das pessoas suscetíveis de serem implicadas foi ouvida”, referindo-se a possíveis intervenientes no alegado esquema.
As autoridades francesas indicam ainda que o número de vítimas identificadas subiu para cerca de duas dezenas, sendo que dez delas não tinham, até agora, sido sinalizadas pelo Ministério Público.
Entre os casos já conhecidos estão vítimas associadas ao agente de modelos Jean-Luc Brunel, acusado de violação de menores e que morreu na prisão em 2022, bem como denúncias relacionadas com Gérald Marie, antigo responsável da agência Elite, que negou publicamente todas as acusações através da sua advogada.
“Estamos a ouvir estas vítimas, algumas das quais se encontram no estrangeiro”, explicou a procuradora, num processo que envolve também a análise de novos elementos recolhidos pelas autoridades.
As investigações incluem a recuperação de dispositivos e documentação pertencentes a Epstein. “Recuperámos o computador de Epstein, os seus telefones e os seus cadernos de contactos”, referiu Laure Beccuau, acrescentando que o material está a ser alvo de novas análises.
As autoridades francesas admitem ainda que serão feitos pedidos de cooperação internacional para aprofundar a investigação, especialmente após a consolidação da informação sobre as redes de contactos do criminoso.
Estas diligências não impedem, contudo, a continuação de outras investigações relacionadas com alegados crimes sexuais cometidos por membros do círculo próximo de Epstein, incluindo suspeitos de recrutamento de vítimas.
Entre esses nomes encontra-se também Daniel Siad, referido como possível intermediário na rede, que está igualmente a ser investigado em Paris na sequência de denúncias apresentadas por alegadas vítimas.
Jeffrey Epstein, recorde-se, manteve durante anos contactos com figuras influentes do meio político e económico internacional, tendo sido detido em julho de 2019 sob acusações de exploração sexual de menores e associação criminosa.

















