A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou este domingo, dia 17, que um surto de Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda constitui uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, na sequência de pelo menos 256 casos suspeitos e 80 mortes associadas.

Em comunicado, a organização sublinha, ainda assim, que a atual situação não cumpre os critérios para ser classificada como uma “emergência pandémica”.

A OMS alerta para “incertezas significativas quanto ao verdadeiro número de pessoas infetadas e à propagação geográfica associada a este surto”, acrescentando que a situação representa um risco acrescido para outros Estados devido à possibilidade de disseminação internacional da doença.

A entidade refere que já foram registados casos fora do epicentro inicial, incluindo duas infeções confirmadas em Kampala, no Uganda, nesta sexta-feira, dia 15, e no sábado, dia 16, em pessoas com historial recente de viagem a partir da República Democrática do Congo.

Perante este cenário, a organização defende que “o surto exige coordenação e cooperação internacional”, de forma a reforçar a vigilância epidemiológica, melhorar os mecanismos de prevenção e resposta e garantir a capacidade de implementação de medidas de controlo eficazes.

Segundo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o vírus pode ser transmitido através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas infetadas, bem como através de materiais contaminados ou contacto com corpos de vítimas mortais da doença.

A infeção manifesta-se geralmente com sintomas como febre, fadiga, dores musculares, cefaleias e dor de garganta, evoluindo frequentemente para vómitos, diarreia e dor abdominal. Em fases mais avançadas, podem surgir hemorragias internas e externas.

Existem seis espécies conhecidas do vírus do Ébola, sendo que três são responsáveis pela maioria dos grandes surtos: Ébola, Sudão e Bundibugyo. É esta última variante que está na origem do atual surto, segundo a OMS.

Trata-se do terceiro surto identificado associado ao vírus Bundibugyo, após ocorrências anteriores no Uganda (2007-2008) e na República Democrática do Congo (2012), indicam dados citados pelos Médicos Sem Fronteiras.

De acordo com o mesmo grupo, este é já o 17.º surto de Ébola registado na República Democrática do Congo desde a descoberta do primeiro caso, em 1976.