Maria Eugénia Neto, viúva de Agostinho Neto, o primeiro presidente angolano, desmentiu categoricamente as notícias falsas que circularam nos últimos dias nas redes sociais, segundo as quais o Estado angolano teria suspendido o apoio financeiro e institucional que lhe presta, incluindo o acompanhamento médico de que beneficia em Portugal.

Num vídeo a que o 24Horas teve acesso, a antiga primeira-dama esclareceu que não houve qualquer corte dos subsídios atribuídos pelo Estado e que continua a contar com o apoio dos serviços de saúde da Presidência da República, algo que lhe é garantido enquanto viúva de um antigo chefe de Estado. Este desmentido procura travar uma polémica alimentada por publicações que apresentavam Maria Eugénia Neto, radicada a muito em Lisboa, como estando sem recursos para assegurar despesas básicas e pagar o tratamento clínico.

A informação falsa foi posta a circular por Artur Queiroz, antigo jornalista português e veterana figura dos media angolanos, atualmente radicado em Portugal, depois de ter sido afastado do Jornal de Angola, órgão oficial do regime, onde durante anos escreveu sob o pseudónimo de Álvaro Domingos, tendo então se destacado pelo teor e tom antiportugueses dos seus artigos.

Agostinho Neto casou com Maria Eugénia no dia 27 de Outubro de 1958, dia em que conclui a sua licenciatura em Medician em Lisboa

Num texto de opinião intitulado ‘Marcas da pobreza’, Artur Queiroz afirmou que a viúva do primeiro Presidente de Angola “não tem dinheiro para comer nem para pagar a clínica”. O antigo jornalista levantou ainda suspeitas sobre um alegado desaparecimento das verbas que deveriam ser enviadas para apoiar Maria Eugénia Neto, sem apresentar elementos que comprovassem as acusações.

Viúva põe ‘os pontos nos is’

O esclarecimento da própria visada desmonta agora essa versão. Maria Eugénia Neto confirmou que os apoios financeiros se mantêm e que o Estado angolano continua a garantir o acompanhamento institucional necessário à sua permanência e assistência médica em Portugal.

Com 82 anos, Artur Queiroz é uma figura conhecida da comunicação social angolana, manteve durante décadas uma forte proximidade ao poder político, o que permitiu que as falsas informações que agora veiculou terem ganho particular impacto também por envolverem a viúva do fundador da República de Angola e uma personalidade historicamente ligada ao processo de independência.

O episódio volta a expor a facilidade com que informações não confirmadas, envolvendo figuras de elevado valor simbólico, são amplificadas nas redes sociais e apresentadas como factos antes de qualquer verificação junto dos visados.