O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, desmentiu hoje, dia 9, no Congresso dos Deputados, qualquer sugestão de que o seu executivo esteja a ser alvo de chantagem por parte de Marrocos, numa resposta direta ao líder do Vox, Santiago Abascal.
Durante a sessão de controlo ao Governo, Abascal questionou Sánchez sobre se estaria a ser chantageado por Rabat devido a alegada informação comprometedora sobre corrupção envolvendo o próprio e a sua família. O líder do Vox foi mais longe, sustentando que Espanha "não pode continuar a ser um protetorado marroquino" e defendendo que o país não deve estar subordinado a Rabat, Bruxelas, Washington, Telavive, Teerão ou Pequim.
Sánchez respondeu de forma taxativa, garantindo que o seu Governo não aceita chantagens de nenhum partido, país ou poder, e anunciou que serão divulgados, ainda esta quarta-feira, os relatórios do CNI (serviço de informações espanhol) e da inteligência militar referentes ao período entre 1 de julho e 1 de agosto, relacionados com a chegada de milhares de migrantes a Ceuta vindos de Marrocos no final de julho.
O momento mais quente do confronto surgiu quando o chefe do executivo espanhol devolveu as acusações a Abascal, apontando-lhe conivência com Washington e Telavive e acusando-o de aplaudir simultaneamente tarifas de uns e alegados genocídios de outros, numa referência a Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Foi nesse contexto que Sánchez, reconhecendo ser frequentemente apelidado de "autocrata", "ditador" ou até "cão" pela oposição, atirou: "A diferença é que eu serei um cão, mas não tenho dono."
O episódio insere-se numa sessão parlamentar particularmente tensa, marcada pelas críticas da oposição à gestão da crise migratória em Ceuta e à relação do Governo espanhol com Marrocos.

















