A moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo de Luís Montenegro, de 53 anos, foi chumbada esta terça-feira, dia 8. A iniciativa, que tinha como principal objetivo pressionar a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Neves (60), recebeu 60 votos favoráveis, todos do Chega, enquanto 104 deputados votaram contra.

Houve ainda 62 abstenções, de deputados do PS, BE, PCP e JPP. A proposta acabou, assim, por não reunir apoio suficiente para avançar, mantendo o Executivo da AD em funções.

No encerramento do plenário, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel (58) aproveitou o debate para deixar críticas fortes aos dois maiores partidos da oposição. O governante garantiu que o Governo PSD/CDS-PP continuará a assumir-se como um defensor da justiça social, mas rejeitou aquilo que classificou como uma visão baseada no "estatismo ou socialismo da justiça".

Rangel (58) dirigiu depois uma mensagem particularmente dura ao Chega e ao PS. "Há que dizer um 'chega' ao Chega; há que dizer um 'basta' ao PS", afirmou, acusando os dois partidos de terem protagonizado um debate que, na sua perspetiva, não apresentou uma alternativa capaz de substituir a atual governação.

Do lado do Chega, André Ventura (43) voltou a pressionar os restantes partidos e considerou que quem votasse contra a moção acabaria por funcionar como "cúmplice e muleta" do Governo de Montenegro. O líder do partido questionou ainda o silêncio daquilo que chamou a "brigada de ética do PSD", numa referência às críticas e posições que os sociais-democratas têm assumido noutros momentos.

Na intervenção final, Ventura defendeu que a saída de Luís Neves poderia comportar riscos, mas argumentou que isso não deveria impedir uma decisão política. "Demitir Luís Neves tem riscos, tem, muitos", reconheceu, antes de recuperar uma conhecida frase atribuída a Francisco Sá Carneiro: "A política sem risco é uma chatice, e sem ética é uma vergonha."