O presidente sérvio marcou eleições legislativas para 25 de outubro, mais de um ano antes do previsto. Vai a votos como candidato a chefe do governo e continua sem cumprir a demissão que anunciou em junho.

Aleksandar Vučić assinou esta quarta-feira, dia 9, o decreto que dissolve o parlamento sérvio e marcou eleições legislativas antecipadas para 25 de outubro. Assinou-o enquanto Presidente da República. E assinou-o para deixar de o ser: o Partido Progressista Sérvio (SNS), que lidera, já o nomeou candidato a primeiro-ministro.

É esta troca de cadeira que define a eleição. Vučić está no poder há 12 anos, alternando entre a chefia do governo e a presidência, e prepara-se agora para fazer o percurso inverso ao de 2017, quando deixou o cargo de primeiro-ministro para se mudar para o palácio presidencial. As legislativas só eram devidas em dezembro de 2027 e são antecipadas em mais de um ano.

Há, no entanto, uma pendência por resolver. Em finais de junho, num comício em Belgrado, Vučić anunciou que seria presidente "apenas por mais umas semanas" e que depois se demitiria. Passaram-se mais de dois meses e a demissão não chegou: o decreto de hoje foi assinado por ele mesmo, o que confirma que continua em funções. Quando sair, os poderes passam interinamente para Ana Brnabić, presidente da Assembleia Nacional e antiga primeira-ministra, que fica obrigada a marcar eleições presidenciais num prazo de três meses. A Sérvia arrisca-se assim a ter duas eleições em poucas semanas.

Do outro lado está a Lista dos Estudantes, nascida dos protestos que atravessam o país desde novembro de 2024, quando o desabamento da pala da estação ferroviária de Novi Sad matou 16 pessoas. O movimento, sobretudo estudantil, alargou-se a uma contestação mais vasta sobre corrupção e liberdade de imprensa, e a maioria dos partidos da oposição pró-europeia manifestou-lhe apoio. Há analistas a considerar que estas podem ser as legislativas mais disputadas desde que o SNS chegou ao poder, em 2012.

Vučić justificou a antecipação com a necessidade de "resultados eleitorais que determinem claramente" o rumo do país, invocando o aumento das tensões políticas. Os críticos leem o mesmo gesto ao contrário: uma tentativa de fixar em votos uma autoridade que os protestos vêm corroendo há quase dois anos e de o fazer depressa, antes que o movimento estudantil se organize melhor.